Dificuldade para superar luto afecta mais os idosos, mostra estudo

Dificuldade para superar luto afecta mais os idosos, mostra estudo

Dificuldade para superar luto afecta mais os idosos, mostra estudo

Cuidou do marido durante os últimos oito anos da vida dele, quando ficou cego, teve cancro e problemas cardíacos. Depois de ter morrido em 2002, ela vendeu a casa em Long Island, nos EUA, que os dois dividiam, pois o lugar guardava muitas memórias. Depois disso, mudou-se para a sua casa de campo.

«Não estava nada bem», afirmou Anne Schomaker, de 73 anos. «Tinha surtos terríveis de tristeza e desânimo. Sentia muitas saudades do meu marido.» Mesmo depois de fazer terapia, o que ajudou um pouco, ela tinha pesadelos e não suportava ouvir as óperas predilectas do casal. «A dor simplesmente não passava.»

Geralmente, o luto vai desaparecendo à medida que os meses passam, e as pessoas começam a alternar entre a tristeza e a capacidade de redescobrir os prazeres da vida.

O luto fazia parte de vida de Anne há nove anos quando ela viu um anúncio da Universidade de Columbia, onde investigadores que haviam desenvolvido um tratamento para o “luto com complicações” procuravam participantes para um estudo.

O luto prolongado pode atingir qualquer pessoa, especialmente idosos. «O luto é resultado da perda. Pessoas com mais de 65 enfrentam perdas muito maiores», diz Katherine Shear, psiquiatra de Columbia que publicou um artigo sobre o tema no The New England Journal of Medicine.

Um estudo envolvendo 2.500 pessoas, realizado na Alemanha, afirma que a proporção total é de cerca de 7%, chegando a 9% entre as pessoas com mais de 61.

O problema parece ser mais provável quando a morte é repentina e quando o paciente tem histórico de tendência para a depressão, ansiedade e uso de substâncias químicas.

A definição desse tipo de luto é motivo de discordância entre profissionais da área. Na última versão do seu Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a Associação Psiquiátrica Americana negou-se a classificar o luto com complicações como um transtorno mental, mas incluiu o “transtorno persistente complexo relacionado ao luto” na lista de temas que exigem um estudo posterior.

O manual sugere um limite de 12 meses para delimitar um luto “normal”, mas Katherine e outros cientistas propõem um limite de apenas seis meses. Alguns especialistas discordam. «A psiquiatria precisa mesmo de rotular emoções humanas perfeitamente normais como transtornos?», questiona Jerome Wakefield, professor da Universidade de Nova Iorque.

Ao diagnosticar o luto com complicações apenas seis meses depois de uma morte, afirmou, «muitas pessoas normais vão receber tratamentos desnecessários», incluindo medicamentos.

Katherine também se preocupa com a “patologização” de emoções. Mas quando uma mulher é incapaz de sair de casa quatro anos depois da morte de um filho adulto, como uma paciente, algo correu mal, diz. O seu centro oferece apoio a pacientes em tal situação. Junto a terapeutas, os pacientes encaram memórias, fotografias e gravações da pessoa morta, além de ter contacto com outros enlutados em situação similar.

Darlyn Reardon, da Pensilvânia procurou ajuda em 2011. Depois de o seu marido, após 40 anos juntos, ter morrido de cancro, «foi como se eu também tivesse morrido». Sete anos passaram e «eu deixei de cuidar de mim. Não ia nem ao médico. Nós tínhamos amigos, mas afastei-me deles. Afastei de tudo».

Darlyn, de 72 anos, sentirá sempre a falta do marido, John. Mas agora ela consegue assistir a um filme, comer com a prima, ficar com seu pug de estimação ou passar um tempo na companhia dos netos.

FONTE: Diario Digital